°°Picture yourself in a boat on a river with tangerine trees and marmalade skies....

Thursday, March 17, 2005

Monólogo de Orfeu

Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços!
Te enrustist
eEm minha vida; e cada hora que pass
aÉ mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...E sabes de uma coisa?
Cada vez que o sofrimento vem, essa saudade de estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, – que é que eu sei! Essa agonia de viver fraco, o peito extravasado O mel correndo; essa incapacidade De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso Que é bem capaz de confundir o espírito De um homem – nada disso tem importância Quando tu chegas com essa charla antiga Esse contentamento, essa harmonia Esse corpo! E me dizes essas coisas Que me dão essa força, essa coragem Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice Meu verso, meu silêncio, minha música!Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada Sou coisa sem razão, jogada, sou Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...Coisa incompreensível! A existência Sem ti é como olhar para um relógio Só com o ponteiro dos minutos. TuÉs a hora, és o que dá sentido E direção ao tempo, minha amiga Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!A beleza da vida és tu, amada Milhões amada! Ah! Criatura! Quem Poderia pensar que Orfeu: OrfeuCujo violão é a vida da cidade E cuja fala, como o vento à flor Despetala as mulheres - que ele, Orfeu Ficasse assim rendido aos teus encantos!Mulata, pele escura, dente branco Vai teu caminho que eu vou te seguindo No pensamento e aqui me deixo rente Quando voltares, pela lua cheia Para os braços sem fim do teu amigo!Vai tua vida, pássaro contente Vai tua vida que estarei contigo!

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