°°Picture yourself in a boat on a river with tangerine trees and marmalade skies....

Tuesday, March 15, 2005

Numa época aonde a noite não passava de uma obra abstrata da cabeça de uma menina confusa, estranha e totalmente fora do comum, existia uma pequena cidade, no interior de Ítaca com uma única casa. Há muitos anos uma família havia morado ali. Pai, mãe, 5 filhos e um único gato. A família, isolada do mundo extinguiu-se em questão de poucos anos. Não se sabe como, nem porque, o único que sobreviveu foi o tal gato. Preto, de olhos fortemente amarelados e pêlos estranhos.
Preto, como era chamado pela família tinha o costume de passar dias inteiros sentado no mesmo muro, de tijolinhos vermelhos e rachaduras aparentes cantando ao nada e observando a claridade do dia, aquela que, agora que ele se sabia sozinho, era sua única companheira. Passou anos ali, quase morto, esquecido pela eternidade admirando o nada Pouco a pouco, como um furacão se apaixonou por aquele algo intocável, inatingível.
E assim, ia cada vez sofrendo mais e mais. Pensou em se matar, mas o pra sempre também o havia esquecido.
Queria sumir, queria qualquer coisa que amenizasse aquela dor, qualquer coisa que o fizesse esquecer o dia. Mas sabia que não podia. Sabia que o dia era perfeito demais pra ser esquecido. Sabia que, apesar de doer, era melhor assim do que longe.
Solitário, dolorido, acabado, o gato soltou uma única lágrima. A lágrima mais triste de toda história conhecida até aquela época. Teve vontade de chorar, mas estava engasgado demais. Seu único alívio foi aquela pérola escorrendo por entre seus pêlos, já brancos.
Há muito tempo a loucura, escondidinha vinha observando o gato. No começo, não vou mentir que a visão daquele funesto gato a deliciava. Mas até mesmo a pior loucura já apreciou o amor e, imaginando a tamanha dor de Preto, resolveu intervir.
Oculta ela se arrastou na falecida grama e pegou aquela pérola de lágrima.
Imaginando o que fazer com ela decidiu leva-la a Misópotes, o maior sábio daquelas redondezas. Ele pensou, pensou, pensou, mas nada podia fazer com aquilo. Estava carregado de dor. Nada de bom poderia sair dali.
A loucura, frustada, levou de volta a pérola, decidida a devolve-la ao gato, porém, chegando ao local só o que ela encontrou foi a carcaça do velho gato, devorada pela morte.
Um pouco mais aliviada, sabendo que finalmente o gato tinha encontrado a paz, pegou a velha pérola e lançou-a ao céu, para que, pela última vez o gato pudesse estar perto da luz.
Como mágica, a pérola subiu tão alto, mas tão alto que atingiu o céu e lá ficou. Nunca mais caiu.O que ela se tornou, não se sabe direito.
A loucura, com medo de deixar a única lembrança do animal sozinha de novo, criou as estrelas a partir dos amarelos olhos e também lhe deu um nome. Chamou-a de Lua.
O gato tornou-se a noite, deixando de ser preto para ser estrelado.
Hoje em dia Luz e Noite dividem o mesmo espectro, não juntos pois isso significaria o fenecimento de ambos. Nunca chegaram a se conhecer, afinal, da claridade, só nos resta o dia...





Alguém faz um final?!?

1 Comments:

  • At 3:09 PM, Anonymous Anonymous said…

    hi honey baby lummy woomy (ta, num sei q q foi isso entao dexa quieto)! amei o texto... logico q euia amar né... ame-o vc tb, do jeito q ta. te amo. bjinhos

     

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